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Túneis e cabines de desinfecção de pessoas contra o novo Coronavírus: por que não são confiáveis?

Devido à pandemia do novo Coronavírus, medidas estão sendo adotadas para que o número de infectados não cresça tão rapidamente e a propagação do vírus seja controlada.

03 / 06 / 2020
Túneis e cabines de desinfecção de pessoas contra o novo Coronavírus: por que não são confiáveis?

Devido à pandemia do novo Coronavírus, medidas estão sendo adotadas para que o número de infectados não cresça tão rapidamente e a propagação do vírus seja controlada. Uma destas medidas adotadas por diversos países foi a instalação de túneis e/ou cabines de desinfecção de pessoas, colocadas antes da entrada de lojas, estabelecimentos e demais locais.

O objetivo destas instalações é pulverizar/nebulizar desinfetante líquido nas pessoas antes que entrem no local. Resumindo: a pessoa entra em uma área parcialmente fechada, caracterizada como uma espécie de túnel, onde um desinfetante líquido é pulverizado (espalhado) sobre ela através de um sistema semiautomático, ou por uma pessoa que aplica a desinfecção manualmente. Após a pausa de alguns segundos, a pessoa está liberada para entrar no local.

 

Por que estas estações de desinfecção de pessoas não são indicadas?

Por mais que a adoção dessa medida seja comum, diversos especialistas e, inclusive, a Anvisa, garantem que ela não é indicada, portanto, não deve ser adotada.

Segundo a própria Anvisa, sobre a desinfecção de locais públicos (que seria não somente em cabines, mas também em ruas e cidades inteiras):

Não foram encontradas evidências cientificas de que o uso dessas estruturas para desinfecção seja eficaz no combate ao SARS-CoV-2;

A Anvisa somente recomenda a utilização de saneantes sobre superfícies inanimadas, de modo que a borrifação sobre seres humanos dá uso diverso a aquele que foi originalmente aprovado;

A borrifação de saneantes sobre seres humanos tem potencial para causar lesões dérmicas, respiratórias, oculares e alérgicas, podendo o responsável da ação responder penal, civil e
administrativamente. (NOTA TÉCNICA Nº 38/2020/SEI/COSAN/GHCOS/DIRE3/ANVISA)

O Conselho Federal de Química também aborda que a medida não deve ser adotada, pelos motivos de que não há estudos científicos que comprovem a eficácia do uso desse tipo de desinfecção ou de higienização para eliminar microrganismos que eventualmente possam estar depositados em roupas, dentre outros motivos. Leia mais aqui.

 

Motivos que não indicam a aplicação desse método

A indicação da não colocação desse tipo de local para desinfecção, com este método de aplicação, se dá pelas seguintes preocupações:

– Falta de comprovação da eficácia: não há comprovação eficaz deste método. Superfícies macias, como roupas, não podem ser desinfetadas. Ou seja: para que um desinfetante dê resultado em superfície, deve ser aplicado com ela limpa, rígida e não porosa, mantendo-a molhada durante o contato do desinfetante, o que não é provável de acontecer contra o vírus em roupas ou na pele de pessoas.

– Risco de saúde e segurança: através da prática, há um aumento no risco de inalação, contato com os olhos e pele, podendo até mesmo causar problemas de saúde, mesmo para desinfetantes considerados não perigosos em concentração de uso.

– Não aborda o reservatório do vírus: os infectados pela Covid-19 armazenam o vírus em suas secreções respiratórias e na saliva. Isso significa que aplicar desinfetante na pele não ajuda a eliminar o vírus que uma pessoa infectada carrega dentro do corpo.

– Aprovação regulatória: não há comprovação de que as marcas têm esse tipo de aplicação aprovada em seus rótulos, sendo ilegal o uso de desinfetante de maneira inconsistente ao rótulo.

Tudo isso nos leva a entender que essa prática pode gerar riscos de problemas à saúde e à segurança, não sendo benéfico para as pessoas e nem eficiente para eliminar o vírus das roupas/pessoas.

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